Um convite para a reflexão de uma realidade que precisa mudar – e muito

O Brasil é um país majoritariamente negro. Somando 55,8% da população, é de se impressionar (no sentindo triste da palavra) que, mesmo assim, ainda exista preconceito racial, principalmente no mercado de trabalho. Para se ter uma ideia, no ano de 2019, o salário de profissionais declarados pretos foi cerca de 45% menor que dos brancos, de acordo com informações do IBGE

Mesmo possuindo as mesmas qualificações profissionais que outros trabalhadores brancos, os profissionais pretos recebem até cerca de 31% menos, de acordo com informações do UOL Economia. Para se ter uma ideia, ainda de acordo com dados divulgados pelo IBGE, a renda média dos trabalhadores pretos é de R$1.865, ante R$3.509 recebidos pelo restante da força de trabalho do país. 

O racismo estrutural

O problema já existe há muito tempo, o qual chamamos de racismo estrutural. Esse termo é utilizado para mostrar que sociedades são estruturadas baseando-se na discriminação de determinadas raças, enquanto privilegia outras. Aqui no Brasil, por exemplo, infelizmente ainda podemos notar o privilégio para brancos, enquanto há o desfavorecimento de pretos, pardos e indígenas.  

Com esse conflito que já vem de muitas gerações anteriores, ainda há muito o que mudar na nossa realidade. Apenas 11% da população negra concluiu o ensino superior. E não, essa não é uma informação antiga. Esses dados tristes são atuais, extraídos do site da CNN Brasil

Ainda de acordo com a CNN, 91% dos pretos e pardos estudaram em colégios públicos e 89% nunca teve a oportunidade de realizar nenhum tipo de curso de idiomas. O que para os mais desavisados pode parecer uma informação relevante, vale lembrar que a compreensão de mais um idioma além da nossa língua materna costuma ser uma exigência para grande parte das empresas atualmente. 

Dificuldades para a inserção no mercado de trabalho

Além do impacto dos estudos, existem outros empecilhos criados pelas empresas que podem dificultar a inserção de pretos e pardos no mercado de trabalho. Isso porque boa parte das empresas opta por nivelar profissionais graduados em determinadas instituições, das quais boa parte da população preta não teve a oportunidade de estudar.

Por sorte, tivemos um bom avanço na democratização do ensino superior público, atingindo a média de 50,3% de estudantes negros, de acordo com a publicação feita pelo Portal G1.

Apesar da conquista do aumento de pessoas pretas cursando o ensino superior, são poucas as empresas das quais encontramos negros em cargos de liderança. Levando em conta as 500 maiores organizações do país, apenas 4,7% possui profissionais negros na liderança. 

Empresas focadas em equidade

Por sorte, algumas companhias decidiram mudar essa realidade de maneira efetiva. É o caso de empresas como TIM, Natura e Magazine Luiza

No caso da TIM, foi aberto um programa de estágio com o objetivo de preencher 50% do quadro de colaboradores com pessoas pretas e pardas. Não houve nenhum tipo de exigência em relação a universidade, nem fluência em idiomas. A ideia da organização é trazer esses jovens e prepará-los para, posteriormente, ocupar cargos de liderança dentro da empresa. As informações são da revista Época Negócios.

A Natura possui programas de capacitação interna para desenvolver seus profissionais pretos para que todos possam chegar em seus cargos de liderança. A empresa já possui metade do seu quadro composto de funcionários pretos e pardos e pretende alcançar a mesma média entre os líderes da companhia pelos próximos anos. 

O Magazine Luiza causou burburinho na internet ao lançar seu programa de trainee voltado exclusivamente para pretos e pardos, dando maior ênfase para colaboradoras do sexo feminino. Mas a estratégia valeu a pena, ampliando o quadro de colaboradores para 53% dele preenchido por profissionais que se autointitulam pretos ou pardos. 

O que podemos aprender com essas empresas?

Aprendemos que ainda há muito o que ser modificado em nossa sociedade para quebrar preconceitos e situações de desigualdade dentro e fora do ambiente corporativo. E isso deve ser combatido com iniciativas realmente eficientes, que tragam esses empregos de forma que os talentos possam ser desenvolvidos e que existam novas oportunidades para aprender mais a cada dia.

Mais empresas devem trazer esses tipos de programas pensando em gerar não só novos postos de trabalho, mas também uma nova forma de agir perante a sociedade que ainda possui pensamentos retrógrados e preconceituosos.

Nós, como sociedade, possuímos sim, uma dívida com a população preta e parda e que deve ser paga com equidade, desenvolvimento e acima de tudo, respeito. E juntos podemos trabalhar a cada dia para que isso aconteça ainda mais rápido para transformarmos o mundo em um lugar cada vez melhor!

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

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