Entenda mais sobre essa realidade e o que precisa mudar urgentemente

Começamos esse texto com uma reflexão: no seu emprego atual, ou em qualquer outro que você já teve, você trabalhou com algum colega portador de algum tipo de deficiência? Infelizmente, sabemos que a resposta da maioria para essa pergunta, será “não”. 

Apesar de no Brasil as empresas que possuem acima de 100 funcionários serem obrigadas por lei a ocupar de 2% a 5% dos cargos por pessoas portadoras de deficiência, são poucas as organizações que realmente fazem essas contratações. A Lei de nº8.213/91, também conhecida como a Lei de Cotas, foi criada há 30 anos com o objetivo de proporcionar mais equidade no cenário corporativo. Porém, essa está longe de ser a realidade.

Atualmente, contamos com mais de 500 mil profissionais com deficiência no mercado de trabalho. O que parece um bom número, na realidade representa apenas 1,1% do total, já que o Brasil possui cerca de 45 milhões de pessoas que possuem algum tipo de deficiência, de acordo com informações do Portal G1.

A pandemia causada pela covid-19 também trouxe mais empecilhos para esses profissionais. Estima-se que, no primeiro semestre de 2020, cerca de 6,2 mil PCDs foram desligados de seus cargos. O saldo, infelizmente, foi negativo ao longo de todo o ano: mesmo com o mercado aquecido e despontando novas oportunidades nessa fase, a contratação de PCDs segue em queda. As informações são do Jornal Estadão

Os desafios no mercado de trabalho

Uma dos maiores desafios enfrentados pelos PCDs é a valorização de suas qualificações. Muitas vagas que são abertas voltadas para portadores de deficiência são exclusivamente para cargos de entrada, não levando em conta o nível superior de boa parte desses profissionais. 

Em contrapartida, muitas empresas solicitam experiências das quais alguns candidatos não possuem, mas também não se nota nenhum tipo de programa de incentivo interno para estimular o desenvolvimento e traçar um plano de carreira a médio e longo prazo. 

Além disso, diversas companhias alegam não ter uma estrutura adaptada para receber esses colaboradores, gerando uma certa polêmica. Afinal, seria tão difícil assim realizar determinadas adaptações para acolher esses profissionais? 

Infringindo a lei

A pandemia também se tornou uma desculpa para não contratar mais colaboradores PCDs, onde muitas empresas alegam não ter estrutura para admitir pessoas que são do grupo de risco. Para se ter uma ideia, em 2019, apenas 53% das empresas obedecem a porcentagem de contratação de portadores de deficiência previstos em lei, de acordo com informações do Portal InfoMoney

E mesmo que mais da metade das organizações obedeçam a lei, grande parte disponibiliza apenas cargos operacionais, buscando preencher as vagas exclusivamente por obrigação. E isso acaba gerando mais demissões, já que o profissional percebe que não há nenhuma oportunidade de crescimento e opta por sair da empresa. 

É preciso proporcionar mais oportunidades

A melhor forma de mudar essa realidade dentro do ambiente corporativo é trazer programas específicos para a contratação desses profissionais, criando planos de carreira e trazer mais incentivos. Contar com líderes PCDs também traz uma sensação maior de pertencimento e equidade. Afinal, não há nada melhor que se sentir representado pela sua liderança e saber que há possibilidade de crescimento. 

Pelo fim do capacitismo 

Você conhece o termo capacitismo? Ele traz significado para a forma de preconceito contra pessoas com deficiência. Algo que infelizmente está enraizado na nossa sociedade e faz com que pessoas com pensamentos preconceituosos reduzam profissionais PCDs à suas deficiências. 

Quando falamos sobre o capacitismo, não nos referimos apenas aos olhares cheios de julgamentos ou o uso de termos ofensivos. Ele vai além: estamos falando sobre a exclusão dessas pessoas em diferentes espaços da nossa sociedade. 

Ou seja, trata-se de algo bastante dolorido de se pensar e que faz com que tenhamos mais empatia sobre o que acontece na rotina das pessoas portadoras de deficiência. Precisamos nos unir e mudar de forma urgente esse tipo de tratamento, mostrando que todos são capazes e merecem ganhar cada vez mais espaço não só no mercado de trabalho, mas em todos os âmbitos de suas vidas.

Agora que você sabe mais a respeito desses desafios diários enfrentados pelos profissionais PCDs, que tal fazer a sua parte? Faça a diferença! Incentive o local em que você trabalha a abrir vagas voltadas para esse público, incentive treinamentos e capacitações.

Porque é isso que precisamos: oportunidade e respeito acima de tudo. Todos são capazes, mas são necessárias oportunidades para que possam brilhar no ambiente corporativo. Vamos juntos mudar essa realidade? 😉

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