Aprovada em medicina pela UNICAMP,  ela mostra que com foco e constância, tudo se torna possível

Moradora da cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, Monaliza Ávila carrega em si a vontade de fazer a diferença. Aos 21 anos, sempre estudou em escolas estaduais e municipais e foi aprovada para ingressar no curso de medicina pela UNICAMP. Mas se engana quem pensa que esse era um sonho antigo. “Ser médica não foi meu sonho de criança, como acontece com muita gente”.

Na verdade, Monaliza alega que a vontade de ser médica nasceu por conta de situações do cotidiano. “Vários acontecimentos foram contribuindo para esse sentimento. Em um episódio, auxiliei uma mulher que caiu de bicicleta em frente à minha casa, prestei socorro e a acompanhei na ambulância”, conta. 

“Outra situação foi um acidente de motocicleta no qual fui a responsável por entrar em contato com a família da vítima. A partir daí, me encantei pela ideia de estudar medicina e reverter as situações cotidianas que acontecem com as pessoas à nossa volta”. 

Dona do seu destino

Em um país com realidades tão distintas, Monaliza mostrou para o destino que seria a responsável por escrever sua própria história. Filha de uma diarista e de um cobrador, ela sempre foi bastante focada nos estudos e credita seu sucesso na sala de aula aos seus pais. 

“Mesmo sem tanto estudo, eles sempre tiveram a noção de que para mudar nossas vidas, é preciso ter o conhecimento como base. Eles sempre me apoiaram em tudo, desde o ensino fundamental. Nunca me cobraram notas altas, mas o incentivo deles sempre fez com que eu e meu irmão participássemos de todas as atividades escolares e acabávamos indo muito bem”, afirma. 

As notas altas renderam frutos desde cedo: no Ensino Médio, migrou da escola estadual para a municipal, em Paulínia, por acreditar que teria um sistema de ensino melhor. Lá, iniciou um curso técnico de informática, mas não se interessou tanto pelo assunto. Já sabia o local que queria estudar: a Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP. Mas a princípio, cogitava cursar biologia, já que sempre se identificou com a matéria de ciências. 

Até que ao se formar, baseada nas experiências vividas, focou em cursar medicina. Conseguiu bolsa para um entrar em um cursinho pré-vestibular graças a uma porcentagem obtida em uma prova para bolsistas no Anglo Paulínia, onde permaneceu por 4 anos. 

“Meu primeiro ano de cursinho, em 2017, foi um extensivo normal, porque na época o Anglo não tinha a turma MED. Em 2018 abriram a primeira turma MED, migrei para ele e fiquei o segundo, o terceiro e o quarto ano direcionada para medicina. Contávamos com outra grade horária e algumas aulas a mais focadas em aprofundamento em matérias específicas, como química e biologia”. 

O sonho da UNICAMP 

O foco em passar na UNICAMP também tinha suas razões. “A UNICAMP sempre foi meu sonho porque nunca quis sair de casa, nem morar sozinha. Até porque eu não teria condições de me sustentar em outra cidade ou estado”, explica. O fato de ter professores formados na universidade citada também pesava na sua preferência. 

No segundo ano de cursinho, Monaliza prestou apenas para a UNICAMP, chegando até a segunda fase, porém sem sucesso. No ano seguinte, prestou para a UNICAMP novamente, além da UFMA, UFRJ, Uespi e UFBA. Na primeira, não passou, em todas as outras, foi aprovada. Até que no último ano, foi aprovada na USP de Ribeirão Preto e na UNICAMP.

Mesmo passando nas outras universidades, optou por seguir no cursinho e usava suas aprovações como forma de incentivo para concluir seu objetivo. 

“Eu sempre pensava: se deu certo uma vez, pode dar certo na UNICAMP também”, afirma. 

A importância de focar em seus objetivos

Monaliza diz que sempre teve seus objetivos muito claros. Sabia que poderia levar algum tempo a mais para ser aprovada, mas nunca pensou em desistir do curso, muito menos perder as esperanças de realizar esse sonho. “Lembro de uma conversa que eu e meu pai tivemos com um coordenador do cursinho, em que ele dizia que prestar medicina era como um projeto de vida. Então eu já tinha consciência de que não seria fácil, mas sempre acreditei que minha hora fosse chegar”. 

Para dar conta de todo o conteúdo, nos três primeiros anos ela chegava no cursinho às 7h e lá permanecia com pequenas pausas estudando até as 21h15,  que era o horário em que pegava o ônibus para voltar para casa. No período de pandemia, a rotina mudou. “Além do fator pandemia, que já foi um desafio ainda maior emocionalmente, pensei que não seria organizada o suficiente para estudar de casa, mas confesso que me superei. Estudava muitas vezes até as 23h, quando parava, já era hora de dormir”, justifica. 

No último ano, prestou para outras faculdades em São Paulo e pensou em talvez se mudar de cidade com seus pais, caso não fosse aprovada na UNICAMP. Sempre recebendo total apoio da parte deles, afirma que a família toda estava disposta a se mudar em busca da realização do seu sonho de se tornar médica.  

A aprovação

Porém, todo o esforço foi recompensado. Esse ano, Monaliza foi aprovada com louvor para medicina na UNICAMP. Além da aprovação, todo o seu empenho foi reconhecido e compartilhado em diversos veículos de comunicação do Brasil e também em alguns veículos internacionais. Ela acredita que boa parte desse sucesso seja por conta de sua origem e a relação tão próxima com seus pais, seus grandes incentivadores para correr atrás dos seus sonhos. 

Para o futuro, ainda não sabe ao certo em qual área quer se especializar. Mas deseja ser reconhecida na profissão por ser boa no que faz. Também sonha em participar de projetos sociais em outros estados e países, além de conhecer novas culturas. E completa: “espero que até lá não exista mais pandemia e que eu possa ajudar a minha família em tudo que for preciso”. 

Conselho para os vestibulandos

Para finalizar, perguntamos qual seria o seu conselho para estudantes de escolas públicas que desejam cursar medicina. Sua resposta é cirúrgica: “um professor me disse uma frase que me marcou muito. Ele dizia “o oposto do sucesso é a desistência”. O que mais me ajudou nesse processo foi sempre ter meu objetivo muito claro. Sempre soube de onde eu vinha e onde eu queria chegar”. 

Ela acredita que a persistência e a constância foram as peças-chave para conquistar o que almejava. “Eu não tinha outra saída a não ser passar pelo processo, porque se eu desistisse, simplesmente nunca ia acontecer. Isso me incentivava a continuar até mesmo nos momentos mais difíceis”, justifica.

“Eu enxergava como se eu tivesse uma linha central, que mesmo que eu saísse para um lado ou para o outro, eu sempre voltava para o rumo inicial, que era passar em medicina na UNICAMP. Meu conselho é esse, ter constância, saber que não é impossível, porque se tem vaga, é porque é possível todo mundo chegar lá”. 

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