Uma visão 360º do que ainda precisa mudar 

Recentemente, trouxemos para o nosso blog um artigo bastante interessante e necessário sobre a conscientização do Mês do Orgulho LGBTQIA+ e a importância do respeito em relação às pessoas que se identificam com esse eixo de diversidade. Você pode conferir esse conteúdo clicando aqui

Mas hoje, queremos ir além nessa conversa: apesar de todas as campanhas relacionadas ao respeito realizadas por inúmeras empresas nesses últimos tempos, será que esse grupo está efetivamente representado dentro das companhias? Infelizmente, não é o que os estudos mostram.

Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE e publicada pela Forbes, a taxa de desemprego entre a população LGBTQIA+ chega a 21,6%, enquanto a média nacional é de 14,7%. Ainda de acordo com a publicação, 18 milhões de brasileiros fazem parte do grupo LGBTQIA+ , onde 41% afirma que já sofreu discriminação dentro do ambiente corporativo. 

A situação se torna ainda mais delicada quando falamos da população transexual e travesti. Em um mapeamento feito pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo, foi constatado que apenas 58% desta parte da população está empregada, sendo que grande parte trabalha de maneira informal. 

Outro levantamento, feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais e publicado pelo Estadão mostra que cerca de 90% da população de travestis e transexuais tem a prostituição como sua fonte de renda, justamente pelo preconceito enfrentado para conseguir trabalhos formais. 

São números tristes e preocupantes que nos mostram que as empresas devem ir além do discurso bonito. É preciso aplicar esse respeito na prática, criando programas específicos dentro das companhias para acolher, contratar e desenvolver os talentos desses profissionais. Estamos falando de algo que precisa sair do papel (e das redes sociais) para ser aplicado na prática. 

O que podemos (e devemos) fazer para mudar isso? 

Diversas alternativas podem ser implementadas dentro do ambiente corporativo em busca de mudar essa realidade. A primeira delas é criar uma política interna 100% focada no respeito e na diversidade, abrindo até mesmo um canal para que colaboradores LGBTQIA+ possam conversar, ter acolhimento e até mesmo realizar denúncias em caso de preconceito. Mas é claro que, para isso funcionar, a empresa deve realmente levar essas denúncias a sério e tomar medidas efetivas para solucioná-las.

A representatividade também é importante. A sensação de pertencimento se amplia quando vemos alguém semelhante vivendo o dia a dia com a gente. Sendo assim, é essencial trazer a equidade para o local de trabalho, entendendo as necessidades de cada um e mostrando que todos serão ouvidos faz toda a diferença.

Incentivo à carreira 

Com a pandemia causada pela Covid-19, seis em cada dez pessoas LGBTQIA+ perderam seus empregos ou tiveram suas rendas reduzidas, de acordo com informações publicadas pela CNN Brasil. Cerca de 41,5% da população LGBTQIA+ encontra-se em situação de insegurança alimentar. E quando falamos de pessoas trans, esse percentual aumenta para preocupantes 56,82%.

Como boa forma de solução para esses casos, criar programas específicos com vagas exclusivamente voltadas para esses eixos de diversidade (mas é claro, atuando de forma genuína, respeitando as escolhas e orientações desses novos colaboradores) faz com que eles se sintam realmente representados e entendam que suas vozes serão ouvidas. 

Programas de desenvolvimento

No caso de empresas que já possuem pessoas LGBTQIA+ no seu quadro de colaboradores, realizar programas de desenvolvimento de carreira visando prepará-los para cargos de liderança é uma excelente forma de trazer mais diversidade também dentro dos cargos hierárquicos e, consequentemente, ampliando a visão de um ambiente mais inclusivo. 

Respeito acima de tudo 

Além de todas as mudanças de processos que mencionamos anteriormente, vale ressaltar que, para que tudo isso aconteça de maneira efetiva, precisamos que acima de tudo, a  comunidade LGBTQIA+ seja respeitada. Já passou da hora de modificarmos a visão retrógrada, preconceituosa e homofóbica que está enraizada em grande parte das empresas.

Um bom profissional deve ser avaliado por sua performance no seu trabalho, crescendo conforme sua dedicação e empenho. Sua orientação sexual jamais deve ser parâmetro para avaliar seu rendimento. Até porque, trata-se de uma escolha pessoal, onde nenhum gestor ou colega de trabalho deve se incomodar ou interferir. 

Se você já presenciou algum colega com atitudes preconceituosas no ambiente de trabalho, faça um alerta a ele. Mostre que sua atitude não é legal. Repasse a equipe de gestão. Intolerância não é algo que deve ser aceito e dentro do ambiente corporativo, todos devem ser tratados com responsabilidade e respeito. 

Juntos podemos mudar a realidade desse cenário, trazendo para a prática todas as manifestações positivas do mundo corporativo que, muitas vezes, ficam só nas redes sociais e nos cartazes. Vamos nessa? 🌈 ✊

Comments are closed.

EN PT ES