Uma mudança mais do que necessária para a nossa sociedade

Talvez ao ler o título deste artigo você esteja pensando: não é possível que ainda exista diferenciação entre os salários de homens e mulheres que ocupam os mesmos cargos dentro das empresas. Mas, infelizmente, essa ainda é uma realidade em boa parte das companhias não só no Brasil, mas também no mundo.

Vivemos em uma sociedade cuja cultura machista está enraizada principalmente em gerações mais antigas, que por muitas vezes são os que ocupam cargos de liderança dentro das empresas. Por sorte, vemos essa realidade mudar aos poucos, mas ainda há muito o que ser feito. Temos grandes exemplos de mulheres à frente de organizações renomadas no país, como Luiza Trajano, do Magazine Luiza, e Cristina Junqueira, do Nubank e acreditamos que em breve veremos cada vez mais mulheres ocupando postos de liderança. 

Mas, como estão as coisas na prática? Em março desse ano, tivemos uma boa notícia: o Senado Federal aprovou um projeto de lei em que as empresas que pagam salários com valores diferentes para homens e mulheres serão multadas. O objetivo é penalizar financeiramente as empresas que ainda contribuem para a desigualdade salarial entre os gêneros no mercado de trabalho. 

Igualdade salarial prevista por lei

A igualdade salarial é um direito garantido pela Constituição Federal no ano de 1988, mais precisamente no artigo 7º. Além disso, também se faz presente na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde 1943, que determina que os salários devem ser iguais, sem distinção de sexo, conforme matéria publicada pelo portal UOL.

Porém, nem isso foi o suficiente para que as empresas realmente aderissem à equidade salarial. Sendo assim, o projeto de lei foi enviado para a Câmara dos Deputados no ano de 2009 e aguardava aprovação desde 2011. Enfim, em março deste ano, a votação foi aprovada por unanimidade durante uma votação simbólica e estabeleceu uma multa de até cinco vezes para os contratantes. 

Uma luta mais que necessária

Para se ter uma ideia, em 2019 as mulheres recebiam apenas 77,7% do salário comparado aos homens. As informações foram divulgadas após um estudo feito pelo IBGE.  A pesquisa também mostra que apenas 34,7% das mulheres no mercado de trabalho ocupam posições de liderança no país. 

Com isso, o preconceito no ambiente corporativo fica mais evidente, já que as mulheres são maioria nas faculdades. Enquanto 25,1% das mulheres com idades entre 25 e 34 possuem diploma da faculdade, apenas 18,3% dos homens da mesma faixa etária concluíram o ensino superior. As informações são do portal da CNN Brasil

Outro fato em relação às mulheres é a escala de empregabilidade quando mães de filhos pequenos. Enquanto apenas 54,6% das mulheres de 25 a 49 anos com filhos de até 3 anos possuem emprego, em contrapartida, 89,2% dos homens na mesma faixa etária e com filhos estão empregados. Isso ocorre porque muitos gestores ainda creditam os cuidados com as crianças exclusivamente para as mulheres, realizando um pré-julgamento de que a profissional terá de se ausentar mais no trabalho do que o homem em caso de doenças ou qualquer outro tipo de responsabilidade com os filhos.

A evolução por parte das companhias

Por sorte, muitas companhias entendem a importância de mudar essa realidade e estão adotando novas práticas em busca da equidade de gênero. De acordo com informações publicadas pelo portal Olhar Digital, cerca de 66% dos CEOs de grandes empresas colocaram como prioridade em suas agendas projetos que visam o crescimento de profissionais do sexo feminino dentro das empresas.

Algumas organizações, inclusive, já possuem projetos pré-estabelecidos para aplicar essa mudança o mais breve possível. A Sodexo afirma que até 2025 pretende ter cerca de 40% da sua equipe preenchida por mulheres. Já a Shell estabeleceu que em todos os recrutamentos da empresa exista ao menos uma mulher na fase final do processo seletivo para cargos de liderança.

Além disso, 33% das empresas entrevistadas alegam incluir ao menos uma candidata do sexo feminino na shortlist dos processos para vagas de diretoria.

Como fazer a nossa parte?

No ambiente de trabalho, é preciso ter voz e ser ouvido para que mudanças ocorram de forma efetiva. Sendo assim, é interessante haver um diálogo entre os gestores em busca de realizar processos seletivos em que as vagas sejam voltadas diretamente para mulheres, assim como já fazem grandes e renomadas empresas como a Natura. A ideia é trazer uma liderança mais igualitária, tornando o quadro mais equilibrado entre homens e mulheres.

Denunciar os casos de diferença salarial ou qualquer tipo de preconceito também é muito importante para evitar que isso continue acontecendo. Todo profissional deve ser reconhecido e valorizado pelo seu empenho, esforço e talento. Com tantas grandes mulheres no mercado de trabalho, está mais do que na hora de garantir o seu merecido espaço. Queremos mais respeito e reconhecimento por todas as lutas que as mulheres enfrentam todos os dias. É sobre muito mais do que um salário. É sobre justiça! 

 

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